"You want to be careful with that... that the person that you fall in love with is worthy to you."
(vó da Cindy no Blue Valentine)
Estou fazendo de novo, com a mais absoluta certeza de que eu não preciso. A enciclopédia está pronta. Por enquanto, não há mais o que acrescentar. Tenho que viver com o que está aí: com a estrutura vazia dos clichês sendo pintada com as cores de minha preferência - como construir uma casa e escolher se o box vai ser de vidro ou de acrílico, se o piso vai ser porcelanato ou cerâmica, e que tamanho a cozinha vai ter. Não tenho mais nada pra apresentar em termos de dor. Nada de novo. Na base do por enquanto, já vi de tudo. Posso completar verbetes, mas não criar entradas novas.
Eu estou aqui. Eu continuo o mesmo abacaxi de sempre, com mudanças superficiais. Meu problema é o tempo, curto ou longo, que me acompanha e me submete. Estou na prisão. Estou me sentindo velha sem a sensação de saber de muito. Estou me sentindo velha e infantil. Velha e imatura.
Desista de uma pessoa, mas não desista de um projeto. Os dois têm chances de te decepcionar, mas a pessoa te abandona, e o projeto, não. A pessoa nunca pode ser sua, e o projeto, sim. Mas como manter a convicção quando o é o contrário que impera? Como eu vou saber se não estou sendo queixo-duro?Quem vai ganhar, intuição ou convenção? Eu estou aqui pra cumprir o papel que eu quero cumprir ou o papel que esperam (fazendo com que eu secretamente espere também) que eu cumpra?
Mas chega. É o carnaval, é o tédio, é a luz do sol. Quando passar, eu paro. Quando passar, eu volto a ser gente. Volto a contar comigo, saio da caverna, reinicio os trabalhos que são meus - porcos, fracos, não oferecem salvação, redenção ou felicidade eterna, mas meus de verdade.