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domingo, 19 de fevereiro de 2012

Os trabalhos, os dias e os knights in shining armour

"You want to be careful with that... that the person that you fall in love with is worthy to you."
(vó da Cindy no Blue Valentine)


Estou fazendo de novo, com a mais absoluta certeza de que eu não preciso. A enciclopédia está pronta. Por enquanto, não há mais o que acrescentar. Tenho que viver com o que está aí: com a estrutura vazia dos clichês sendo pintada com as cores de minha preferência - como construir uma casa e escolher se o box vai ser de vidro ou de acrílico, se o piso vai ser porcelanato ou cerâmica, e que tamanho a cozinha vai ter. Não tenho mais nada pra apresentar em termos de dor. Nada de novo. Na base do por enquanto, já vi de tudo. Posso completar verbetes, mas não criar entradas novas.

Eu estou aqui. Eu continuo o mesmo abacaxi de sempre, com mudanças superficiais. Meu problema é o tempo, curto ou longo, que me acompanha e me submete. Estou na prisão. Estou me sentindo velha sem a sensação de saber de muito. Estou me sentindo velha e infantil. Velha e imatura.

Desista de uma pessoa, mas não desista de um projeto. Os dois têm chances de te decepcionar, mas a pessoa te abandona, e o projeto, não. A pessoa nunca pode ser sua, e o projeto, sim.  Mas como manter a convicção quando o é o contrário que impera? Como eu vou saber se não estou sendo queixo-duro?Quem vai ganhar, intuição ou convenção? Eu estou aqui pra cumprir o papel que eu quero cumprir ou o papel que esperam (fazendo com que eu secretamente espere também) que eu cumpra?

Mas chega. É o carnaval, é o tédio, é a luz do sol. Quando passar, eu paro. Quando passar, eu volto a ser gente. Volto a contar comigo, saio da caverna, reinicio os trabalhos que são meus - porcos, fracos, não oferecem salvação, redenção ou felicidade eterna, mas meus de verdade.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Aversão

É o barro no piso branquinho, a voz que me arranca do sono, a urina apodrecendo no vaso, a porta que não vai ser consertada nunca, as goteiras que nunca vão acabar, a acumulação de lixo em todos os cantos, a convivência pacífica com a sujeira. De repente eu entendo a Charlotte chorando e vomitando quando viu pela primeira vez a casa do noivo da mãe. Não era frescura, era desespero. E não era o casamento da mãe, era a sujeira da futura casa.

Eu vou rezar, fechar meus olhos, ficar tranquila. Eu não estou vendo nada.

Eu vou arrumar alguém pra consertar isso, mas eu não tenho necessidade de limpar aquilo.

É melhor nem começar os serviços que nunca terminam.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

só aqui rapidinho:

um brinde ao feminismo - eu devo demais pra esse pessoal.

The Police

Eu sabia que esta porra ia ser cobrada de mim um dia. A vergonha era certa.

Sempre que eu matei, foi por mais. 

Batman

Eu peguei o morcego morto na mão e disse, pai, o senhor não devia matar morcegos, porque um deles pode ser o Batman! Ele disse: TSC, AH!, me desprezou da maneira esperada e eu fiquei olhando o quintal cheio de  pisos e azulejos e coisas que eu nunca vou entender do tipo "conserve essa conta de luz por causa do INPS" e O QUE É ISTO, MEU DEUS?, eu tenho 25 anos e sou uma ignorante.

Do que estamos falando, mesmo? Ah, o Batman... o ator morreu...

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Truco

Você finge pra você mesmo que você tem carta.
Você finge pros outros que você tem carta e truca confiante.
O resultado pode ser igual ao que seria obtido se você tivesse carta.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Dispensável

Outro dia eu cheguei no Tião porque tinha uma tarefa por lá e encontrei uns amigos. Gostei de perceber, três horas mais tarde, que me importar com o fato de ninguém ter me convidado não era mais uma possibilidade.
 

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